Ressonância magnética nuclear de mamas: quando realizar?

                                                                                                                                                               

Muitas pacientes chegam ao consultório de mastologia com dúvidas quanto à realização de um exame de ressonância magnética nuclear de mamas (RMN).                                                                 

  

Logo de início, deve-se esclarecer que este exame apresenta uma taxa alta de falsos positivos (as mamas são normais e o exame está alterado), dessa forma, não se deve basear as decisões de conduta apenas na informação da RMN. Nas situações em que há uma RMN alterada é fundamental a avaliação com outros exames de imagem da mama para uma correta decisão sobre qual conduta a seguir. Quando a única alteração encontrada está na RMN, a biópsia da lesão deverá ser realizada guiada pela RMN, porém, recomenda-se fortemente a consulta a um especialista em mastologia antes de se proceder tal biópsia.                                                                                                              

Outro aspecto importante é que a realização de uma RMN para avaliação adicional de exames de imagem alterados com diagnóstico de câncer, com a justificativa de melhor avaliar a extensão da lesão ou presença de outras lesões não encontra respaldo científico na atualidade. Além disso, a omissão da realização da RMN nestes casos, não tem influência na ocorrência de recidivas locais e nem na sobrevida após tratamento de pacientes com câncer de mama¹.                                            

  

O uso da RMN está bem definido para as seguintes condições clínicas²:                                              

  • Diagnóstico de adenocarcinoma em biópsia de linfonodo axilar em mamas com exame clínico e exames de imagem normais.
  • Quadro clínico de Doença de Paget da mama.
  • Em pacientes com diagnóstico de carcinoma de mama que são candidatas a quimioterapia neoadjuvante. Nestes casos a RMN deverá ser realizada antes do início da quimioterapia e após seu término, como avaliação pré-cirúrgica.
  • Em pacientes com diagnóstico de carcinoma lobular de mama quando não é possível definir bem a lesão com os exames de mamografia e ultrassonografia ou no exame físico das mamas.

O uso da RMN está indicado como forma de rastreamento* associado à mamografia nas seguintes condições³:

  • Portadores de mutação do gene BRCA - risco aumentado de câncer de mama (início a partir dos 25 anos de idade).
  • Parentes de 1º grau (não testados) de portadores de mutação do gene BRCA (início aos 25 anos de idade).
  • Risco de 20% ou mais para desenvolver câncer de mama ao longo da vida, calculado por modelos baseados em história familiar (Gail, Claus, BRCAPRO, Tyrer-Cuzick).
  • Portadores de síndromes genéticas de risco aumentado para câncer de mama como Li-Fraumeni.
  • Parentes de 1º grau de portadores de síndromes de risco aumentado para câncer de mama como Li-Fraumeni.
  • Pacientes com história de radioterapia em tórax entre 10 e 30 anos (ex.: para tratamento de linfoma)
  • Pacientes com diagnóstico histológico (biópsia) de CLIS (neoplasia lobular in situ), hiperplasia lobular atípica e hiperplasia ductal atípica, em virtude de evidências emergentes para um risco em torno de 20% ou mais para o desenvolvimento de câncer de mama ao longo da vida.

Finalizando, reforçamos que a RMN, quando indicada, deve ser realizada preferencialmente entre o 7º e 15º dia do ciclo menstrual. Pacientes com implantes mamários de silicone (prótese) se beneficiam da realização de RMN para a avaliação das mamas e da integridade dos implantes. A presença de mamas densas, não constitui indicação absoluta para realização de RMN como forma de rastreamento, devendo a indicação do exame ser individualizada caso a caso. Exames de RMN devem ser realizados em clínicas com profissionais com larga experiência neste tipo de procedimento e posteriormente avaliada por um especialista.                    

 

*Realização de exames de imagem em paciente sem sintomas para detectar o câncer ou lesões precursoras do câncer e à partir daí planejar o diagnóstico e o tratamento.                                        

  

Referências bibliográficas: 

  1. Houssami N, Ciatto S, Macaskill P, et al. Accuracy and surgical impact of magnetic resonance imaging in breast cancer staging: systematic review and meta-analysis in detection of multifocal and multicentric cancer. J Clin Oncol 2008;26:3248-3258.
  2. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines®). Breast Cancer. Version 1.2017 - March 10, 2017.
  3. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines®). Breast Cancer Screening and Diagnosis. Version 1.2016 - July 27, 2016.                                                                                                                                                                                                                                          

                                                                                                                                                               

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